sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Sobre Deus

Um dos maiores e mais belos questionamentos que podemos ter em nossas vidas, é quando questionamos Deus. Nesse momento, apesar de parecer pouco, aprendemos muito sobre a vida e sobre nós mesmos. E é belo saber que, nesse momento, não negamos a existência de algo superior à nossa própria. É um sentir-se fraco, ínfimo e sem importância para se sentir forte e ter consciência do nosso propósito, das nossas relações com o mundo e com nossos iguais.
E é lindo que essa descoberta venha por nós mesmos, nos nossos sonhos, na nossa fé, em nossas metas, erros e fracassos e também em nossa utopia. É daí que se cria a consciência, um insumo raro e capaz de produz as essências mais refinadas da natureza, o respeito e a gentileza.

Seja o que vier, é bom lembrar que é preciso a chuva pra poder florir. 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Nosso tempo - lira dos vinte anos no século vinte e um

Nasci na década de noventa
Ainda estou na brilhantina dos vinte
Ainda quero salvar o mundo
Um mundo em crise
E que parece sem solução

É dois mil e quinze
Uma época de transição
Onde ladrão que rouba cidadão
Ganha mil anos de perdão
E liberdade de opressão

Quero a minha liberdade reluzente, em cores de vida
Dizem que a paleta da Pantone é a melhor
E a câmera do iPhone, com a melhor resolução
Que doce ilusão
A lira dos vinte no romantismo do século 21

Sem rima
Sem vida
Sem expressão
Um tiro, uma boma, a explosão.
Duraremos pouco, então?

Eu que via as coisas com beleza, saia sozinho, dando a mim mesmo a liberdade de ser o que sou -engraçada a sensação de poder fazer tudo quando imaginamos estar sozinhos - Tudo podia girar em torno de mim! Mas, apesar disso, sei que sou insignificante diante do olhar de uma câmera. Será deus? Eu me pergunto.
E ao contrario de o mundo ter que se movimentar até mim, eu é que tenho que me movimentar para ver, sentir, cheirar, abraçar, gritar tudo o que eu quiser! Aí eu percebo que o poder de fazer tudo o que eu quiser não esta no mundo mas esta em mim mesmo.A lição do vilão emprestada ao herói.

Eu sozinho,
Na rua
E a câmera,
Com você.
Seremos heróis ou vilões?

Liberdade? Liberty? Liberté?

Hoje me dei conta de algo assustador e que nem ao menos nos damos conta de que ocorre.
Escrevi sem saber sobre o robotizar-se, a robotização do cotidiano e da esfera privada e até íntima da vida, mas parece que não há saída para isso. Lendo algumas reportagens sobre liberdade na internet, segurança virtual (que ainda é rudimentar para muitos casos), percebi a gravidade do fato de que podemos ser controlados por qualquer pessoa em qualquer lugar do planeta, por nossos celulares, tablets, e até mesmo - pasmem - pelo nosso GPS. Mas até então, nenhuma grande novidade. Pois bem, eis que descobri que podemos, por consequência do uso desses aparelhos, pelo nosso perfil nas redes sociais, ter traçados nossas preferências como usuários, um grande histórico sobre nós mesmos e que nós nem ao menos temos ideia do que se trata e a que ou a quem o uso desse conteúdo é destinado. Será que nossa vida pode ser roubada? Não duvido. Somos robôs, que podem ser copiados, duplicados, triplicados, enfim! Muito cuidado! Ah! Outra coisa, o uso de GPS nos carros, pode deixar nossos veículos vulneráveis e fora de nosso controle, além de  também captarem as preferências dos motoristas. Isso ocorre, pois utilizam conexão via satélite para nos guiar. Imaginem só a catástrofe se um grupo de pessoas resolve criar um congestionamento ou guiar os carros para uma área de risco? É uma situação muito complicada, complexa e tensa, mas que agora pretendo saber mais sobre. Apesar de defender a ideia de não nos robotizarmos, estar alheio a esse processo nos torna reféns em uma armadilha que poderia ser evitada por nós mesmos e que precisa, desde já, de o mínimo de conscientização para que possamos nos proteger ou buscar soluções e melhorias, ou então, ter o mínimo de domínio sobre esses nossos históricos e perfis, para ao menos saber e controlar pra quê e para quem essas informações estão sendo utilizadas. E no Brasil, a discussão parece ainda não existir, pois temos uma mídia também interessada por essas informações. Por outro lado, essa quebra de privacidade e de liberdade, pode trazer segurança em casos extremos, cujas palavras não citarei aqui, mas até que ponto poderia ser aceitável? Defendemos uma democracia, mas eis um agravante, uma veia que está prestes a estourar, o tempo ruge, a tecnologia e o conhecimento da população sobre tais meios avança, e então, o que faremos? Até onde vai a nossa liberdade e a nossa sobrevivência? Será que deveríamos mentir sobre nós mesmos? Só sei que, em breve, teremos novas reflexões, mais textos e poesias!

Não sei nem por onde começar, acho que o desejo de quem escreve é ter bons leitores, de modo que recebam suas mensagens e que estas possam transformar vidas de maneira positiva, quem sabe possamos salvar um ao outro? Pois, creio que em tempos como este, o individualismo deve ser carta fora do baralho, somente com colaboração conseguiremos nos ajudar, e consciência sobre o que nos cerca, sobre todas as re-significações que a vida toma. Mas, cuidado, nesse vasto mundo virtual até mesmo a leitura deve ser cuidadosa - o lixo só aumenta.



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Das palavras que não poderão ser ditas - breve história de um adeus.

O primeiro olhar remetia ao cheiro da laranja apodrecida que preenchia os cantos de uma cidade inteira. Uma imagem decrépita e doente, razões enevoadas pela pureza da humanidade como em suas diversas formas, e essa era uma delas, inútil, incompreendida, que faz com que meu coração, hoje, se corroa com a saudade da partida que ainda nem foi. Parte decomposta da vida em que brota o sentir despercebido de preocupações ou revisões - eramos assim e pronto - alma e coração, um punhado de história e poesia, como todos somos enquanto nossos corpos calcorrem em sua auto-putrefação sem ninguém perceber, exceto eu e você. 
A vida nunca me pareceu ter maior sentido ao seu lado. Sem intenções, simplesmente aprendi a vê-la de outra forma e, sabemos, é tudo tão escuro quanto a noite sem estrelas - e continua sendo. Como dar o próximo passo sem você? É algo que eu preciso aprender. E quando for a hora de responder ao seu "vem comigo?", será que deverei ir? Será que acontecerá?
Pouco mais de um ano, esse é o nosso tempo caminhante em velocidade constante, estivemos sempre juntos, mesmo longes, e nada de vozes ápodes, toques imaginários, desejos doces, sorrisos amarelos e nem mesmo um poema. E não falo de Ti, falo do nosso adeus. Por aqui, o que eu escrevo parece não acontecer e talvez essa seja uma tentativa de que nossa despedida não ocorra. Por que é tão difícil, meu fiel amigo?
As vezes, sinto apenas que preciso te esquecer e você a mim. 
Mas não, simplesmente já não podemos mais.
E assim deverei ir, a morrer de saudades.



sábado, 4 de outubro de 2014

Sentimento de liberdade - a qual nos privamos

O sentimento de rasgar-me a começar pela garganta para sentir o que eu já havia esquecido sem olhar para trás, e me revisar, tomara conta de mim, por uma ou duas vezes, e por uma infinidade que virá. Eis o erro da definição. Nunca deve ser a mesma coisa, se for, é uma revisão, um plágio, um deja-vú. É triste colocar fim a um sentimento e privar-me dele, para ser diferente numa próxima vez. As palavras já são escassas por aqui e, recentemente, tenho me utilizado de diferentes imagens e ideias clichés. Ah! O amor nos deixa bobos, nos enlouquece e depois nos abandona. Maldito. E em consequência, a ojeriza da revisão, a repugnância de nossos reflexos do passado, do que nós fomos, de como agimos, do que falamos - tudo se ridiculariza e se esconde. Quem sabe algum dia seja resgatado? Talvez o amor genuíno seja um pouco disso. Um pouco de negar-se.
Mas que seja bem pouco.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Artifícios do artificial

Apesar de achar que este blog não tenha mais espaços para meus novos textos pois não representam seu propósito inicial, sinto que esse ainda seja um lugar seguro para os meus pensamentos. Quando eu penso em Oko Haizenwögger, devo estar louco, pois é um espaço meu, criado por mim, mas materializado virtualmente por mim e concretizado em sensações na minha realidade. E chega a ser tão absurda a sua realidade que eu o considero real. Afinal, quantos pseudônimos, heterônimos, não nos confundem, na realidade, com a materialização dos próprios autores, por exemplo? Álvaro de Campos, Alberto Caieiro, Ricardo Reis. A virtualidade, como assim chamamos, está mais próxima da realidade do que pensamos. Ou talvez nos prendemos a uma realidade irreal, em que mais que ações ou partes materiais, temos psique, sensações que por vezes não controlamos e que pensamos que podem ser desligadas, enquanto a matéria transformada. Mas tudo porque não sabemos. Se a filosofia é, das partes mecânicas imagéticas das ciências, a mais fluida, porque ela deveria morrer? As invenções trouxeram consigo as artificialidades, todas elas, virtuais ou materiais, programadas a determinado fim, desde a descoberta do fogo. A vida é o que está fora do artificial. Retorno ao humano. E a vida humana é o ser humano, o animal humano e sua artificialidade. A artificialidade é o que dá ao humano o aspecto de "ser" humano, pois, como ele poderia perceber-se sendo algo que ele já é? A nova filosofia vem da artificialidade que, como ciência, deveria estudar as construções, os monumentos do artificial, virtual, a partir de experimentações. E assim, o humano. 

Escuto melodias de dois minutos e meio. Penso: "Quantas palavras posso escrever em dois minutos e meio?" Parece uma eternidade. Escrevo as primeiras coisas que vêm a minha cabeça e que dão sentido ao que estou escrevendo. Há momentos em que eu paro para pensar, e penso: "Há momentos em que paramos de pensar para pensar?" Paro, e olho o que eu escrevo. Será que isso é uma necessidade da escrita? A música caminha para o fim e eu termino antes que ela acabe. 

Quantas vezes não terminamos coisas por sentir que estão no fim sem ao menos que ela termine de fato? Descartando a possibilidade de apertar o play de novo. Eu escrevi ao passo em que uma música ressoava cerca de 84 palavras. Poderia ser menos ou ser mais, e o que restou, o dado escrito, quem saberá se foi verdade ou não que ele terminou ao terminar a música? Descartamos possibilidades, pois não pensamos nelas. Escrevi coisas sem pensar, e delas surgiram coisas para pensar. Em que você consegue pensar ao escrever coisas sem pensar? 

O tempo nunca me pareceu tão volátil. 

Obra em vidro de Mauro Bonaventura

domingo, 15 de junho de 2014

Sexta-feira 13 - Auto Antropofagia Magia

Os sentidos afloraram-se a ponto de sentir o esquecimento!
Sorrisos apagados, memórias que tomaram formas distintas,
Isso é, por mais triste que pareça, evoluir.

Retiram-me pela minha própria goela
Do meu próprio estrangulamento,
A ponto de olhar-me entreposto a espelhos do futuro e do passado
E regurgitar minhas próprias revisões.

E pode ser isso o que se sente quando nos permitimos novamente a amar.
E o talvez como confirmação.

Sexta-feira 13 costuma pressagiar um dia de azar,
Mas não quando em noites de lua cheia.
Da piscadela e do aperto de mãos
Nasceu um novíssimo, inesquecível e sincero sorriso.
Gravados na sua e na minha memória
De um lugar secreto ao som de Madonna e outras bitches
Dois pontos brilharam no universo aquecendo imensidões sem serem vistos.

E esse foi o primeiro dia.
O segundo foi negação,
Que faz parte da posterior aceitação.
E aceitar significa tomar os riscos
Para riscar os riscos, os medos, o pode ser...
E enfim, ser, vivo!





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